Quem nunca questionou na vida? Quem nunca o fez que atire a primeira pedra. Eu e meus irmãos nascemos em um lar onde diversas vezes ouvimos nossos pais dizerem: “na nossa época não era assim, não! Os mais novos jamais ficavam questionando os mais velhos, como se faz nos dias de hoje!!” Mas na realidade, mesmo vivendo nesse contexto, eles sempre fizeram o possível para nos dar a liberdade de perguntar e entender algumas questões que tínhamos dúvidas.
Há alguns anos atrás, as pessoas não podiam questionar os pais, as autoridades, líderes eclesiásticos, etc… Mas hoje, em pleno século XXI, as coisas realmente têm mudado (e muito!)… as pessoas, cada vez mais, têm deixado de ter medo de pensar, de expor suas opiniões, de questionar. Estão saindo de um sistema fechado onde determinadas palavras ouvidas, muitas vezes, foram consideradas como verdade absoluta e descobrindo a oportunidade de ouvir e ser ouvido; de receber algo e devolver outro; de respeitar e ser respeitado. Será que realmente esta é uma realidade em nosso mundo hoje?
Como somos seres que sofremos constantes transformações, a tendência das coisas é sempre mudar; porém esta mudança pode gerar dois lados: um positivo e outro negativo.
Mas afinal, qual é o problema de questionar? Isso não é um sinal de um progresso? De um passo a frente que a humanidade tem dado? Nosso comportamento com as pessoas pode refletir no nosso comportamento com Deus; então… e quando questionamos a Deus? Será isso um pecado? Será que podemos questionar ao Senhor, Criador dos céus e da Terra? Em um de meus dias de reflexão, estava pensando sobre esse assunto e fiz um link com um tema que gosto muito: a arte da música. Em determinadas músicas, há alguns acordes que são chamados acordes relativos. Para usá-los adequadamente, é necessário um músico de ouvido bem aguçado ou uma pessoa com uma boa e sensível percepção musical, pois eles (os acordes) são bem parecidos, sendo bem difíceis de distinguir. O interessante é que, usados de forma errada, por mais semelhantes que sejam, os ouvidos do músico ficam extremamente incomodados, como se tivessem ouvido um alto e forte ruído, desarmonizando a melodia.
Será que existe diferença entre questionar e querer entender? Creio muito na liberdade que Deus nos dá e sei que Ele não se importa com as perguntas que eu ou você possamos fazer devido às inúmeras dúvidas que surgem durante a nossa caminha de vida… Entretanto, penso que, se queremos ter uma melodia bonita e harmoniosa, devemos ter cuidado com a maneira que expressamos nossos questionamentos.
Quantas vezes nos deparamos com interrogações que parecem nos devorar como: “por que pessoas que amam a Deus e vivem de forma tão “justa”, morrem de forma trágica, degenerativa, sofrida, injusta…?” “Por que um Deus Soberano permite que milhares de pessoas morram por fenômenos naturais, de forma inesperada, como por questões religiosas, políticas ou até mesmo por balas perdidas?” Por mais que coloquemos para fora os infindáveis pontos de interrogação que formamos na vida, nunca, nada será mais importante do que a convicção de sabermos que Deus não cabe em nossa mente pequena e limitada; afinal, foi Ele quem as fez!!!! Pode uma criatura compreender a mente de Seu Criador?
Discutimos por inúmeras questões devido à nossa forma de pensar, crer, viver… e algo que tem sido alvo de muitas discórdias e até separações é o polêmico assunto Teologia. De um lado, calvinistas afirmando a idéia de que somos pré-destinados e do outro, arminianistas defendendo o livre arbítrio. Quem pode nos garantir que Deus não atua dessas duas formas em determinados momentos? Nós homens, temos a eterna necessidade de obter respostas… mas definitivamente, para nem tudo há respostas… Que Deus seria esse se conseguíssemos explicá-lO?
Que as nossas dúvidas e questionamentos jamais abalem a nossa fé e amor pelo nosso Senhor. Que o brilho da Sua glória permaneça inabalável em nossos corações de forma que, mesmo se Ele não fizer, mesmo se eu não entender ou mesmo se eu não sentir, continuarei seguindo na busca em conhecer o meu Deus.
“Minha intenção, Senhor, não é penetrar em tua profundidade, porque de forma alguma posso compará-la à minha inteligência; porém desejo compreender a tua verdade ainda que imperfeitamente, essa verdade em que meu coração crê e que ele ama. Porque não procuro compreender. Na verdade, creio porque se não cresse não viria a compreender.”
Anselmo de Canterbury
Ricardo Martins Teodoro.





